Subliminar: Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas – Resenha

Ao ponderarmos sobre nossas escolhas conscientemente, elencamos os motivos para nossas decisões. Quase sempre tentamos justificar nossas ações em escolhas conscientes, mas será que é isso mesmo que acontece? De acordo com o livro de Leonard Mlodinow, Subliminar: Como o Inconsciente Influencia Nossas Vidas, a resposta é não.

A certeza, pelo menos aparente, de que estamos conscientemente no controle de nossas ações é uma das bases de nossa personalidade. Diariamente fazemos centenas de escolhas que afetam nossa vida, desde o trajeto até o trabalho, o cardápio do almoço e até o motivo de nos identificarmos com alguém. Justificamos para nós mesmos o porquê de todas as nossas escolhas e vivemos bem assim.

O livro de Mlodinow nos mostra que a maioria de nossas decisões são automáticas e que as rédeas estão nas mãos de nosso inconsciente. Por meio de centenas de estudos científicos, teorias da Psicologia e suas próprias experiências, Mlodinow capitaneia uma viagem ao incrível mundo do mente humana.

Nosso cérebro precisa tomar muitas decisões a cada instante e para ser bem sucedido nessa tarefa, abre a sua caixa de ferramentas e utiliza a mais misteriosa de toda elas: o inconsciente. Na maioria das vezes, o processo de tomada de decisão começa com a visão, passa por campos específicos do cérebro até chegar ao inconsciente que, ao utilizar seu banco de dados, faz a escolha numa fração de segundos.

Apesar de ser um tema complexo, Mlodinow nos entregou uma obra de fácil leitura, tornando a passagem das quase trezentas páginas uma viagem intrigante e divertida.

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Dom Quixote: o clássico das multidões

Escrever sobre Dom Quixote de La Mancha, o valente Cavaleiro dos Leões – há quem diga, maldosamente, Cavaleiro dos Moinhos de Vento –, é aventurar-se em território sagrado. A magnífica obra do espanhol Miguel de Cervantes, com mais de quatro séculos de história, é um dos mais aclamados romances da Literatura.

Leitor voraz de romances de cavalaria, Dom Quixote resolve exercer a profissão. Dedicar-se às armas é mais importante do que às Letras, argumenta nosso corajoso cavaleiro. Para ajudá-lo nessa ambiciosa empresa, ele convida seu vizinho Sancho Pança para ser seu escudeiro. Embora tenha noção da insanidade do convite, Sancho decide acompanhá-lo depois de nosso herói prometer-lhe que, assim que fosse possível, faria Sancho governador de uma ilha. E assim, desafiando a lógica e a razão, os dois partem em busca de aventuras. Quixote em seu cavalo, chamado Rocinante, e Sancho em seu burrico.

Os dois volumes da empolgante obra de Cervantes são ricos em episódios engraçados vividos pelos protagonistas. No mais famoso deles, Dom Quixote vê alguns moinhos de vento, mas acredita que os moinhos são gigantes que ele deve enfrentar. Já Sancho, mais lúcido que seu amo – pelo menos nesse caso –, vê apenas moinhos. Na adrenalina do encontro, Dom Quixote decide atacar os gigantes (ou moinhos) apesar dos protestos dos pescadores próximos ao local. Após, obviamente, não obter êxito na empreitada, nosso herói culpa os “magos” que o perseguem por ser um cavaleiro andante, por transformar os gigantes em moinhos de vento.

Em outros momentos da história, Dom Quixote profere brilhantes discursos sobre os temas de alcance universal como moral e religião, por exemplo. A habilidade com que o Quixote trata assuntos que não sejam a cavalaria andante nos mostra a dualidade de seu comportamento. O Cavaleiro da Triste Figura revela-se seguro e coerente quando discursa sobre algo que não seja sobre seu ofício e paixão.

Numa simples analogia com o futebol, a história de Dom Quixote pode ser classificada como o clássico das multidões por representar dois lados opostos da personalidade humana convivendo harmoniosamente: a insanidade e a lucidez. Ora insano, ora lúcido. Este é o engenhoso fidalgo Dom Quixote de La Mancha.

P.S.: Romances sobre cavalaria eram comuns na época em que o livro foi publicado, em 1605.