As semi-finais da Taça Farroupilha, o segundo turno do campeonato Gaúcho, que ocorrem neste próximo final de semana, colocarão em evidência dois grandes ídolos do futebol gaúcho e brasileiro. Renato Gaúcho e Falcão, respectivamente técnicos de Grêmio e Internacional, terão a dura missão de mais uma vez provarem que, os tempos em que eles encantavam a torcida dentro de campo podem voltar a ser realidade, mas desta vez fora das quatro linhas.
No Grêmio, Renato Portaluppi (como é conhecido no Sul), tem a seu favor o excelente retrospecto no returno do Brasileirão do ano passado e as boas campanhas com o Fluminense na Copa do Brasil e Libertadores. Além de, é claro, o apoio incondicional da maior parte da torcida gremista que vê em Renato, o herói do título mundial e da Libertadores de 1983.
Na contramão disso tudo, o time do Grêmio ainda não encantou esse ano e nem de longe lembra aquele de excelente desempenho no ano passado. É fato que o Grêmio perdeu titulares importantes como Jonas e Fábio Santos que deixaram o clube e André Lima machucado, mas o time pode render muito mais.
Desde o ano passado a equipe vem atuando no 4-4-2 com meio campo em losango, com Rochembach centralizado na 1ª linha, Lúcio na esquerda, Adílson na direita e Douglas à frente de ambos, também centralizado. Renato testou Carlos Alberto no lugar de Adílson mas, por enquanto, sem sucesso. A lateral esquerda segue sendo uma incógnita, Gilson, Bruno Colaço e até Neuton alternam na posição, e no ataque, Borges divide a grande área com o garoto Leandro, que é a grande esperança gremista na temporada.
Na metade vermelha do Rio Grande do Sul, após a saída de Celso Roth, a torcida parece mais animada com a chegada de um grande ídolo como Paulo Roberto Falcão. Roth, quase sempre questionado, contava diariamente com as críticas da torcida. O ambiente estava insustentável.
Com a costumeira “teimosia tática” que podemos também chamar de convicção, o time colorado atuava no popular 4-2-3-1, quase sempre uma postura defensiva e com pouca ou nenhuma movimentação no ataque. Leandro Damião, a jóia colorada, jogava isolado na frente e era acessorado muitas vezes por dois e até três volantes, que por mais técnicos que possam ser não têm a mesma qualidade de um bom meia, como Oscar, por exemplo, que recebeu poucas chances.
Com a chegada de Falcão, mudanças ficaram evidentes. Na sua primeira partida na casamata, o time atuou no 4-4-2 em duas linhas ortodoxas, com D’alessandro e Andrezinho na função de “wingers” e a dupla com Damião e Sóbis na frente. Com a promessa de um futebol alegre, Falcão vai aos poucos imprimir sua ideia de futebol no Inter. Compactação e posse de bola devem ser as tônicas desse novo time.
De jogador para técnico vencedor é um longo e árduo caminho, que tanto Renato quanto Falcão resolveram enfrentar. E em uma coisa eles devem concordar: precisam estar preparados para as críticas, que não absolvem nem mesmos os grandes craques dentro e fora de campo.